Deitam-se no sofá pela manhã, porque o Sol aquece o sofá da sala. Os gatos todos cabem no sofá. Três gatos num só sofá. Mais ninguém cabe no sofá. Os gatos esticam-se todos desde o ponto em que o sofá começa até ao ponto em que acaba. Não sobra espaço. Alongam-se e dormem. Depois, um cansa-se do Sol, e estica-se no tapete, à sombra a descansar. Revezam-se um a um nessa árdua tarefa de cansaço de Sol. O Sol cansa que se farta! E depois voltam ao sofá. Todos os gatos têm um lugar no sofá ao Sol. Se no sofá houver almofadas, o sofá é um lugar melhor. E um cobertor dobrado no sofá é o sonho dos gatos. Às vezes desaparece uma gata. Está debaixo do cobertor, em cima da almofada, ao lado dos outros gatos, no lugar do sofá onde projecta o Sol.
Se faltar um gato no sofá, que não esteja escondido debaixo do cobertor, está em cima do micro-ondas. O micro-ondas é perfeito. O Sol da cozinha incide no micro-ondas e é suavizado pelo cortinado translúcido da cozinha. O micro-ondas é um lugar alto, porque está colocado em cima da máquina de lavar. Se a máquina de lavar ou o micro-ondas estiverem a trabalhar, transformam-se no lugar mais-que-perfeito. São os momentos de embalo dos gatos que apanham Sol, dormem, vêem a rua, ouvem os carros e os vizinhos a conversar.
Vale a pena ter gatos para os ver sofrer assim tantos tormentos.
quinta-feira, julho 29, 2010
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